Táxi, Taxistas e Rádio Relógio

>> quinta-feira, 25 de maio de 2006


Quando liguei para pedir o taxi pensei que gostaria que fosse o mesmo motorista que me levou ontem. Adoro viajar com ele por um motivo muito simples: ele é calado. Até que não me incomodo de conversar com taxistas, porém, quando estou lendo um livro, e estou, prefiro os calados, para poder desfrutar do prazer da leitura por opção, antes que eu comece minhas leituras por obrigação - processos e mais processos, pilhas intermináveis de desentendimentos e, vez por outra, baixarias. Pois bem, a força do pensamento positivo foi operante e o caladão veio me buscar.

Já no retorno, não tive a mesma sorte. Peguei um taxi no ponto perto do trabalho - uma Uno barulhenta pra caramba e com um motorista animadíssimo, educado até, mas que não se intimidou com o livro aberto em meu colo e por consequência, não consegui dar seguimento à minha deliciosa leitura... ele falou o tempo todo!

Falou sobre o clima no mundo, sobre a exuberância da natureza, sobre curiosidades que ele ouvia na Rádio Relógio... " a senhora lembra?"

Lembro sim... e fiquei imaginando uma viagem naquele taxi numa tarde chuvosa e com algum engarrafamento e ainda por cima ouvindo: "você sabia?.... blábláblá.... tu tu tu.... cada segundo que passa é um milagre que não se repete" (ou seria minuto? não importa, não se repete mesmo!). Dei graças a Deus por não mais existir a Rádio Relógio. Mas logo em seguida lembrei dos motoristas que ouvem a Radio Nativa FM ou qualquer droga do gênero... e um sentimento de nostalgia me invadiu - senti saudades da inofensiva Rádio Relógio.


Nina Victor (texto escrito em 25/05/2006)




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