A Árvore

>> segunda-feira, 17 de dezembro de 2007




Hoje a tarde voltando pra casa, em determinado instante o taxi parou num sinal bem ao lado de uma árvore. Fiquei observando que várias folhas nasciam do tronco mas bem baixinho, na altura do quadril de uma pessoa de altura mediana. Folhas verdinhas e lindas e limpas, brotando de um tronco feio, encarquilhado e nodoso. A árvore não era bonita. Acho que foi a primeira vez, que eu me lembre, que achei uma árvore feia. E me senti muito mal com isso. Nisso, passa ao lado da árvore um garoto de talvez uns onze, doze anos, magrinho de cabelos lisos e sorridente; atrás dele, a mãe (suponho) de mãos dadas com uma garotinha bem menor. Na mesma hora, pensei: a gente anda, as árvores não. Mas mesmo paradas, fincadas no solo, elas tentam alcançar o céu, estão sempre olhando pra cima, mirando o infinito e pra lá tentando se dirigir. E a gente, que anda, no entanto, nem sempre consegue sequer, seguir em frente, quanto mais olhar pra cima, elevar-se e vislumbrar as possibilidades do infinito. O sinal abriu e o taxi andou. Virei o rosto pra continuar a olhar a árvore. Agora ela já não me parecia tão feia.

Nina Victor

Imagem: Árvore da Vida, Gustav Klimt

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